Giras da Memória
Programa Educativo Sociocultural do Museu Guitinho da Xambá, dedicado à valorização da memória, dos saberes ancestrais e das práticas culturais da comunidade Xambá. Inscrições em breve!
O Programa Educativo Sociocultural do Museu Guitinho da Xambá visa realizar o primeiro ciclo formativo para o patrimônio cultural de base comunitária, voltado para museus, arquivos e bibliotecas de comunidades. O ciclo reunirá diversos espaços culturais comunitários que atuam no campo da memória, bem como especialistas com larga experiência na área, mas também em trabalhos socioculturais comunitários. Gira Palavras (palestras), Gira Experiências (mesas redondas), Gira Mundo (expedições culturais), Gira Saberes (oficinas) e Gira Sustentabilidade (economia criativa, inovação cultural e ecologia) compõem o ciclo formativo Giras da Memória.
O Giras da Memória é uma produção da Cultivação – cultura, educação e ecologia, em parceria com o Centro de Arte e Cultura Grupo Bongar – Guitinho da Xambá, com apoio do Museu do Homem do Nordeste/FUNDAJ. O programa foi contemplado no Edital nº 008/2023 da Lei Paulo Gustavo Pernambuco, com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura. A iniciativa fortalece a atuação do CAC Bongar, reconhecido como Ponto de Cultura e Ponto de Memória, na defesa do patrimônio cultural e das tradições afroindígenas. Ao promover a formação e a valorização de saberes, contribui para a construção de agentes culturais comprometidos com a memória, o território e os direitos dos povos de matrizes africanas.
Regida por Xangô, orixá da justiça e da palavra, a Gira Palavras promove encontros baseados no diálogo, na escuta e na reflexão crítica. A atividade realiza palestras e debates com lideranças comunitárias, griôs, mestres e mestras da cultura popular, além de gestores de museus e de espaços culturais comunitários. Neste primeiro ciclo formativo do Giras da Memória serão realizadas três Giras Palavras abertas ao público, no auditório do CAC Bongar, ampliando o acesso às discussões sobre memória, cultura e direitos culturais.
Regida por Iansã, orixá dos ventos, das transformações e da força feminina, a Gira Experiências é espaço de movimento, coragem e escuta ativa. Inspirada pela energia que impulsiona mudanças, a Gira valoriza a experiência como processo contínuo de transformação e construção do bem viver. As atividades acontecem por meio de rodas de conversa que reúnem representantes de diferentes memórias coletivas e espaços culturais comunitários, promovendo o reconhecimento mútuo, a partilha de vivências, desafios e saberes, e a construção de reflexões coletivas sobre cultura, memória e território.
Regida por Orixalá, orixá da criação e da sabedoria ancestral, a Gira Saberes é dedicada à formação técnica e ao compartilhamento de conhecimentos, valorizando processos que respeitam o tempo, a escuta e a construção coletiva do saber. O programa realiza oficinas em museologia social e linguagens artísticas, com foco na estruturação do Museu Guitinho da Xambá. Neste primeiro ciclo formativo, a Gira investe na formação de 10 membros da comunidade Xambá e abre seleção para 20 vagas, através de inscrições online.
Regida por Ogum, orixá dos caminhos, da tecnologia e do trabalho, a Gira Mundo circula com o Programa, abrindo trajetos de aprendizagem nos territórios. Ogum, orixá de Guitinho da Xambá, conduz os participantes pelas experiências de deslocamentos, descobertas e trocas. A Gira Mundo é composta por aulas de campo, visitas técnicas e expedições culturais a museus, arquivos, laboratórios de conservação e espaços de memória, tanto comunitários quanto institucionais. São atividades que estimulam o ver, o sentir e o aprender coletivo, fortalecendo o diálogo entre diferentes práticas culturais e modos de fazer museologia.
Regida por Oxóssi, orixá das matas, da inteligência estratégica e da visão que enxerga além do óbvio, a Gira Sustentabilidade articula cultura, natureza, tecnologia e comunidade na construção de práticas voltadas ao bem viver. Sua flecha certeira simboliza a exatidão de propósitos, a observação atenta e a capacidade de inovar sem romper com os fundamentos ancestrais. Nesta Gira, a sustentabilidade é entendida como um processo integrado, que abrange as dimensões ambiental, cultural, social e econômica, sempre a partir dos territórios e dos seus saberes. Neste primeiro ciclo formativo, a Gira Sustentabilidade irá promover ações ecoculturais com a comunidade Xambá e o seu entorno, buscando trabalhar junto com os agentes culturais dos projetos já desenvolvidos no CAC Bongar: o Cineclube Erê Sankofa e o Bongarbit.
O Centro de Arte e Cultura Bongar (CAC Bongar) é reconhecido como Ponto de Cultura e Ponto de Memória, tendo sido premiado pelo IBRAM em 2023 por suas relevantes ações de preservação, valorização e difusão das tradições populares e religiosas dos povos de Terreiro; e pelo Prêmio Periféricos em 2025, concedido pelo Ministério das Cidades, através da Secretaria Nacional de Periferias. O espaço se consolidou como um território de salvaguarda cultural e também como um berçário de inovações xambazeiras, onde tradição e criação contemporânea dialogam por meio de múltiplas linguagens artísticas.
Localizado no Quilombo Urbano do Portão do Gelo, em Olinda, reconhecido pela Fundação Cultural Palmares em 2006, o CAC Bongar atua diretamente na afirmação da identidade cultural negra e na valorização dos saberes ancestrais do território. Nesse contexto, o Museu Guitinho da Xambá desenvolve ações permanentes em defesa do patrimônio cultural afro-indígena, da memória coletiva e das tradições religiosas de matriz africana, atuando também no combate à discriminação cultural, social e religiosa, e fortalecendo o direito à memória como fundamento do bem viver e da justiça cultural.
“Por sermos herdeiros de uma tradição milenar e termos tantos costumes africanos em nosso cotidiano, não compreendo nem utilizo as palavras morte e falecimento, no sentido de fim da vida, pois o Axexé de um indivíduo do candomblé significa o deslocamento do ser para outro plano, dando continuidade à vida através do espiritual de forma interativa com o universo carnal; com isso, mantendo a memória do indivíduo desencarnado, por meio de ritos religiosos festivos ou não; sendo isso, algo fundamental, também, para a continuidade da comunidade.”
A citação acima é um trecho da monografia em Ciências Sociais do músico pernambucano Cleyton José da Silva (1982-2021), nascido no Quilombo Urbano do Portão do Gelo da Nação Xambá, em Olinda, que nos fala sobre a morte a partir da perspectiva do candomblé. Para ele, o visível e o invisível interagem nas relembranças cotidianas das suas tradições, constituindo-se numa memória viva, potente, capaz de gerar mais vida comunitária. A sua fala fortalece a opção do Programa Educativo Sociocultural Giras da Memória pela afrocentralidade, na perspectiva de uma Educação Antirracista, que permita aos seus participantes a compreensão do mundo sob outras perspectivas. Sua vida e sua obra inspiram o Programa Educativo Sociocultural Giras da Memória, que parte de uma perspectiva de educação antirracista, comprometida com o fortalecimento das memórias coletivas, o direito à cultura e à construção de novos olhares sobre o mundo, a partir dos saberes ancestrais e da experiência comunitária.
Guitinho da Xambá foi uma liderança cultural, artista e educador cuja trajetória se confunde com a luta pela valorização da memória, da cultura negra e das tradições de matriz afro-indígena em Pernambuco. Nascido e criado no Quilombo Urbano do Portão do Gelo, em Olinda, Guitinho atuou a partir da música, da oralidade e da ação comunitária como forma de resistência, criação e afirmação identitária.
Sua vida e sua obra inspiram o Programa Educativo Sociocultural Giras da Memória, que parte de uma perspectiva de educação antirracista, comprometida com o fortalecimento das memórias coletivas, o direito à cultura e a construção de novos olhares sobre o mundo, a partir dos saberes ancestrais e da experiência comunitária.
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